Da falência do município à cassação do prefeito! Vereadores abrem processo de investigação do prefeito de Marechal Floriano

Por unanimidade, dez vereadores - um ausente - decidiram instalar a comissão processante para investigar e recomendar (ou não) a cassação do prefeito de Marechal, Lidiney Gobbi (PP), por negligência, omissão e falta de transparência nas contratações e licitações públicas. 

22ª sessão da Câmara de Vereadores de MF/ES

A sessão desta quarta-feira, 05/11/2025, da Câmara de Vereadores de Marechal Floriano acatou a denúncia feita por um ilustre munícipe desconhecido contra o prefeito por negligência, omissão e muitas irregularidades no Portal de Licitações, originando contratações ilegais, ferindo os princípios da administração pública da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Este último, sentido diariamente pela população quando procura atendimento na Rede Básica de Saúde municipal, gerida por uma empresa, cujo contrato consome 26% do orçamento da prefeitura, segundo o vereador Cabral (PP). 

Não participou da sessão, o vereador Hilário do Gegeu Bar (AGIR), aliado do prefeito, por estar em uma viagem programada anteriormente.

A Câmara escolheu, por sorteio, três vereadores para compor a Comissão Processante que fará diligências e investigará a denúncia. A presidência ficou por conta do vereador Vaninho Steim e a relatoria com Diogo da Amar, ambos do Podemos, e a secretaria com Chapolim Frasson, que é do MDB. A Comissão tem 90 dias para investigar e julgar as ações do prefeito, apresentando o relatório para ser votado pelo plenário. 

A denúncia foi apresentada ao Legislativo no dia 03/11, ou seja, quadro dias após o prefeito ter decretado "fechar o cofre", cortar despesas e rever contratos da administração municipal. A publicação do Decreto, no Diário Oficial, determina  corte de despesas, proibição de gastos e outras medidas de austeridade na Prefeitura.

Segundo nota do jornalista Leonel Ximenes (A Gazeta), "O decreto determina corte de 15% nas despesas da prefeitura, incluindo a suspensão ou limitação de empenhos, além da proibição, com exceções, de participação de servidores em cursos, concessão de horas extras, diárias, passagens aéreas, adicional noturno, nomeações, compras, utilização de veículos após o expediente, apoio a eventos e aquisição de móveis e imóveis, dentre outros gastos. Gobbi também ordenou corte de despesas com custeio como telefonia móvel (celular), energia elétrica, água, aluguel e prestação de serviços".

O vereador Diogo da Amar publicou um vídeo, em rede social, dando conta de um relatório onde ele apresenta provas das várias irregularidades cometidas pela gestão do prefeito Lidiney. E parte das irregularidades, apresentadas pelo vereador, foram usadas pelo autor da denuncia, enviada à presidência da Câmara. 

Na sessão de ontem, ele disse que foi uma surpresa a denúncia e que não conhece o autor, mas que desde o início do ano já alertava para o aumento de gastos do Município, citando a vertiginosa queda (posição 72 para 36) no ranking de transparência e fiscalização dentre os municípios capixabas.

Segundo o vereador, não havia diálogo do prefeito com o Legislativo, pois nunca o encontravam na prefeitura. Eles fez duras críticas: "O prefeito não foi eleito para plantar florzinha, pregar prego em ponte. É uma vergonha o prefeito fazendo obra, ao invés de estar na prefeitura acompanhando o que os funcionários fazem", disse.

O vereador Cabral, do mesmo partido do prefeito, informou que do orçamento municipal, apenas 2% sobram para tocar toda a máquina pública, como obras, manutenção, contrato de limpeza etc. Ele fez as contas: "26% para a Saúde, 25% para Educação, 40% para a folha de pagamento e 7% para a Câmara. Ou seja 98% do orçamento está comprometido". 

Analisando os fatos, a situação do prefeito é complicada. Não tem maioria na Câmara, de acordo com a coligação que o elegeu:  PP / PL / DC / PRTB / AGIR, ou seja quatro vereadores. Em princípio ele tem uma forte oposição de sete vereadores de outras coligações. Só que, pelo perfil dos vereadores e dos partidos que os elegeram, não há diferenças ideológicas. 

Dai, está aberto o "balcão de negócios"? Ou o Lidiney já pode ser considerado "carta fora do baralho"?

A denuncia foi feita por um cidadão, que consideramos esteja bem intencionado, mas um ilustre desconhecido na cidade. 

A semana começou agitada no Município, justamente quando completou 34 anos de emancipação política, no dia 31 de outubro.

Comentários

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  2. Falta de transparência com o dinheiro público é muito sério! Nós, enquanto cidadãos temos o direito de saber como é gasto o dinheiro dos nossos impostos e garantir que ele seja bem empregado, em favor de uma vida melhor para todos os munícipes.

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