Temos difíceis para Lidiney Gobbi. Vereadores abrem CPI para investigar contrato da Saúde em Marechal Floriano

Em sessão extraordinária na Câmara Municipal desta quinta-feira, (27/11/2025), sete, dos onze vereadores de Marechal Floriano assinaram o requerimento pedindo a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar e apurar irregularidades no contrato de gestão da Saúde no município pela Organização Social (OS) Instituto de Apoio ao Meio Ambiente, Saúde e Esporte (IAMASE) cujo contrato assinado em 11/06/2025 consome do orçamento R$ 26.247.864,00 e tem vigência até 2030.



O presidente da Câmara aceitou o pedido e tem 72 horas para indicar os membros  — presidente, relator e secretário — da CPI, que foi embasada por um relatório apresentado pelas conselheiras do Conselho Municipal de Saúde, Lisiany Cristina Costa Nakahara e Elissa Orlandi, com a colaboração da ex-secretária de Saúde, Maria Arlete Novaes Moraes Silva, e da subsecretária Municipal de Saúde, Fabiana Evald, exonerada no mesmo dia da sessão.

Em 20 dias, o prefeito Lidiney Gobbi — que é alvo de uma Comissão Processante instalada no dia 05 de novembro e que pode pedir a cassação do seu mandato —, agora sofre novo ataque por parte dos vereadores, com a abertura de uma CPI que investigará a OS que administra toda a Saúde do município.

Falta de transparência, documentação e prestação de contas — que comprovem a aplicação dos recursos públicos — são algumas das irregularidades apontadas no documento que foi levado à Câmara de Vereadores e ao Ministério Público, além de diversas inconsistências na emissão de notas fiscais, na contratação de empresas e pagamentos dos funcionários.

O requerimento para instalação da CPI foi apresentado pelo vereador Pastor Adriano Domingo (SD), que teve a assinatura dos colegas Coquinho (PSB), Ângelo Fernandes Traspadini (PRD), Cesinha Ronchi (PP), Hilário do Gegeu Bar (AGIR), Juarez Xavier (PRD), João Cabral (PP) e Martim Trarbach (PP).

O blogger Pensar Marechal tentou falar com o prefeito Lidiney Gobbi pelo telefone. Enviamos mensagens pelo WhatsApp, mas em ambos os contatos não houve retorno por parte do prefeito.  

No relatório apresentado, as autoras relacionam vários ofícios enviados à Secretaria de Saúde e ao prefeito informando dos problemas encontrados no contrato de gestão com a Iamase. Inclusive foi enviado diretamente para Lidiney, que não envolveu os órgãos de controle para investigação. "O prefeito se calou, prevaricou", disse um vereador na Tribuna da Câmara. 

Irregularidades

Entre as irregularidades apresentadas, estão divergências entre os valores das notas fiscais emitidas e os valores das notas fiscais validadas pelo sistema de autentificação de notas fiscais do município emissor ou pelo sistema de notas eletrônicas da Receita Federal.

Segundo o relatório, embora tenha sido apresentado no plano de trabalho da Iamase, a aquisição de equipamento de raio X e a prestação do serviço de radiologia, ultrassonografia, eletroencefalograma e de exames laboratoriais não estão previstos no termo de referência nem no contrato.

As conselheiras também destacaram que não consta do contrato de gestão da Saúde o gerenciamento de fornecimento de combustível, de fornecimento de lanche, coffee break, de monitoramento veicular e locação de equipamentos médicos, mas que isso vem acontecendo.

O primeiro pedido de explicações à Iamase foi feito no início de outubro. O relatório financeiro disponibilizado pela OS apresentou os repasses realizados no período entre 1º de julho de 2025 e 12 de setembro de 2025, totalizando um valor de R$ 4.783.502,57. 

E nesse relatório financeiro, as autoras destacaram: 

"Ressaltamos que a organização social não forneceu as cópias dos contratos dos prestadores de serviço, os comprovantes de pagamento, os relatórios das atividades executadas e a certidões negativa de débito das empresas. Conforme a análise dos documentos entregues e comparado com as despesas apresentadas no relatório financeiro, foi possível observar as seguintes inconformidades: verificou-se 48 pagamentos identificados, sem a apresentação de notas fiscais, cópias dos contratos, dos comprovantes de pagamento, relatório das atividades executadas e certidões negativas de débitos, totalizando R$ 2.450.311,87".

E a população sente essa má gestão. O atendimento na Policlínica piorou sensivelmente com pacientes aguardando mais de uma hora para serem atendidos por um único médico disponível.

O Blogger espera uma manifestação do prefeito, afinal ele recebeu 4.087 votos dos eleitores florianenses. 

E diante de denúncias tão graves, os moradores esperam por uma explicação, afinal, em 11 meses de mandato já tem uma comissão processante, instalada pelos vereadores no início de novembro, para investigar denúncias de um munícipe, morador de Vitor Hugo, Julio Alberto Armelau que, se comprovadas, deverão levar a um pedido de impeachment do prefeito. 




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